Estratégia médica tenta evitar o desfecho que se tornou o maior símbolo da desmoralização do ex-presidente: prisão no lugar que desejou a adversários
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| Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - Foto: Leandro Ladeira |
A iminência desse desfecho desencadeou um movimento de pânico no núcleo bolsonarista. A defesa do ex-presidente, segundo relatos, encomendou a três médicos (um cirurgião, um clínico-geral e um dermatologista) a elaboração de um dossiê médico, informalmente chamado de “dossiê anti-Papuda”.
O documento pretende detalhar um suposto quadro de saúde frágil, listando desde câncer de pele e hipertensão até crises de soluço, refluxo, vômito e apneia. A estratégia é clara: usar argumentos de saúde para pleitear a manutenção da prisão domiciliar, um benefício já concedido a outros condenados, como o ex-presidente Fernando Collor.
No entanto, por trás do protocolo jurídico e das justificativas médicas, esconde-se um temor que vai além das grades: o da completa e absoluta desmoralização política. A possibilidade de Bolsonaro trancafiado na Papuda não é apenas uma consequência legal; é a materialização da chamada lei do retorno, o feitiço que se volta cruelmente contra o feiticeiro.
A ironia do destino é tão gritante que parece roteirizada. Em 2017, o então deputado federal Jair Bolsonaro gravou um vídeo icônico e amplamente divulgado. Diante da possibilidade de prisão de políticos do PT, ele exaltou-se e, em tom de deboche, olhou para a câmera para declarar: "A Papuda lhe espera!!!". A frase, que ele julgou ser uma profecia para seus adversários, ecoa agora como uma maldição autoinfligida, uma maldição da própria língua que se concretiza.
LEI DO RETORNO
Relembre o vídeo de Bolsonaro debochando dos adversários.
O mesmo vídeo de 2017 em o então deputado federal do chamado "baixo clero" debochava dos seus adversários voltou a circular com força total nas redes sociais como lembrete ao próprio Bolsonaro e seus seguidores. Ao que parece, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.
A cela na Papuda e que Moraes já teria inspecionado é, portanto, muito mais do que um espaço físico. É o símbolo de uma queda monumental. É o local que Bolsonaro escolheu, em seu imaginário político agressivo, como o destino final de seus inimigos. Ver-se às portas desse mesmo destino representa a humilhação final, a prova de que a arena de combate que ele mesmo criou pode devorar seu criador.
Mas a expectativa nos corredores do poder é de que, mesmo sendo transferido, Bolsonaro passe poucas semanas na Papuda antes de conseguir reverter a decisão para o regime domiciliar. Ministros próximos a Moraes sustentam que o STF tenderá a aceitar o pleito da defesa com base em laudos médicos.
Mas, ainda que temporária, a imagem de Jair Bolsonaro sendo levado para a Papuda marcará para sempre sua biografia. Será o momento em que o destino cobrou seu preço, e a cela que ele anunciou com tanto escárnio para seus adversários finalmente lhe abriu as portas.
Fonte: piauihoje.com

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